quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Trailer Banda Vermelha Louraça Belzebu Provocante

"Dos diretores de John Wick..." 
(ler com a voz do Jorgeh Ramos)


De um dos diretores, na verdade, e nem o que foi creditado: David Leitch. Que, só pelos primeiros segundos desse páuer-trailer, dá pra ver que não tem um único átomo de sutileza em toda sua cadeia de ácido desoxirribonucleico. Charlize, mon amour, que falta de decoro é essa. Zero pose, zero glamour e 100% sangue nos óio. Adorei. Uma declaração de amor (que fofo) à energia cinética.

Confesso que tenho problemas com cenas de personagens femininas descendo a ripa na marmanjada. Quase nunca convence. Às vezes chego a torcer o contexto da cena dentro da minha cabeça até aquilo funcionar pra mim - e é raro isso dar certo tampouco. De sopetão, lembro de duas mocinhas que passaram com louvor na exigente Escala Rothrock (minha resposta ao Teste de Bechdel): Zoë Bell, demolidora em Raze (2013), e, acredite se quiser, Anna Torv, quando atendia por Olivia Dunham em Fringe.

Ok, a primeira nem conta tanto, visto que já era dublê profissional casca-super-grossa, mas La Torv, nas poucas ocasiões em que Olivia amarrava camisa com alguém, demostrava uma disposição absurda. Que saudade... Beijos, Olivia.

Atomic Blond, cujo nome de guerra no Brasil (calma) será Atômica, é uma adaptação do quadrinho The Coldest City, do roteirista britânico Anthony Johnston com o desenhista Sam Hart. Espero que a instigante prévia seja apenas a pontinha do iceberg. Porque agora estou pronto pra outro round, Charlie.


Atômica estreia nos Trumps Unidos dia 28. No Brasil, se não formos despejados até lá, dia 31 com certeza.

"Nos melhores cinemas da cidade."

domingo, 30 de julho de 2017

(Colecionadores) Amotinados, uni-vos!

Dos confins dos traiçoeiros territórios dos mercenários livres ressoam choros e soluços copiosos...


A vida do encadernad(ã)o Os Novos Vingadores: Motim! nas livrarias não foi longa, mas foi bastante próspera. Na época, não creio que a editora Panini antecipava o tamanho da procura que a edição teria e lançou uma tiragem bem aquém da demanda. Jogada por mim no balaio do "a adquirir quando sobrar algum $$$", vi Motim! se amotinar contra meus planos ao evaporar sistematicamente de todas as cadeias (de livrarias) físicas e virtuais. Quando menos percebi, a edição já estava sendo vendida a peso de ouro em vários sites de venda informal - e não só o Mercado Livre.

Foi nessa época que desenvolvi uma teoria conspiratória de boteco sobre uma raça reptiliana disfarçada que adquiria grandes lotes de títulos recém-lançados para revendê-los por aí a preços pornográficos. Caso tenha interesse, os direitos de filmagem ainda estão disponíveis para venda.

Lançado pela Panini originalmente em fevereiro de 2012, o compilado tem 380 páginas reunindo as edições de 1 a 15 de New Avengers. Bom, após tantas análises elogiosas é até redundante dizer que curto bastante essa fase específica dos Vingadores (mesmo 13 anos depois de escrever a bagaça #1) e por isso mesmo tinha um grande interesse nesse relançamento.

Calhou do destino me recompensar pelo exercício espartano de paciência. Com o preço de capa a 79 dólares brasileiros, peguei a edição por 50 mangos na promocha da Fnac (que ultimamente anda despirocando grandemente nos descontos, fique de olho). E o mais legal de tudo foi rolar de rir dos mercenários tristes com suas edições encalhadas ad eternumPara alguns a ficha ainda não caiu - e duvido muito que caia um dia.

Chamo isso de síndrome d'O Evangelho Segundo Lobo pós-traumática.


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E com Demolidor - O Homem sem Medo finalmente retornando à ponta da agulha - outra por muitos anos sendo chamada de "raridade" pelos escalpadores sem a menor propriedade - vou me dar ao luxo de uma pequena atualização.

Há alguns anos, um mix explosivo de falta de espaço e armazenamento improvisado rapidamente evoluiu para várias montanhas de edições com capa dura e papel couché empilhadas, resultando num quase-worst case scenario: as páginas de muitas edições ficaram irreversivelmente coladas.

Aliás, coladas não... fundidas mesmo. Algo químico envolvendo a tinta da impressão e a estrutura do caro e ultrassensível papel deluxe. Apesar do processo ser gradual (começa com as páginas grudando suavemente), não vi nada até ser tarde mais. O miolo de alguns encadernados virou uma coisa só, um paralelepípedo com capa dura.

Esse evento ficou conhecido como o Grande Desastre de 2014. Prejuízo de 5,2 quaquilhões em valores atualizados.

Mas até que tive sorte, por isso o quase-wcs. Todos os Sandman e os Preacher saíram dali intactos. Os que tiveram perda total já foram quase todos substituídos. Me falta ainda o vol. 1 da excelente e injustamente ignorada Criminal da Panini (espero uma nova tentativa da editora ou importo...?).

E Homem sem Medo que, apesar do miolo íntegro, ficou curiosamente danificado nas páginas de créditos iniciais e finais.


Sou um novo homem depois dessa experiência. Posso até dizer que me tornei um amigão da vizinhança.

Com grandes desastres...

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O homem, a motosserra, o mito

Nem imaginava que o icônico Leatherface teria um filme de origem para chamar de seu. E já tem até trailer!


O filme é dirigido pela dupla Julien Maury e Alexandre Bustillo, conhecidos como um dos pilares da nova onda do terror francês. Seu longa de estreia, o pauleira À l'intérieur (Inside, 2007) deixou o Bloody Disgusting de joelhos:

"One of the most audacious, brutal, unrelenting horror films ever made, Inside is perhaps the crown jewel of the new wave of extreme French horror films."

O elenco traz Stephen Dorff no papel do ranger Hal Hartman - homenagem ao R. Lee Ermey, que figurou no Massacre de 2006? - e Lili Taylor, culpada por protagonizar A Casa Amaldiçoada e solta sob condicional após trabalhar em A Invocação do Mal. Fora a estranha presença de Finn Jones (o Loras Tyrell e Punho de Ferro) como um ranger-provável-candidato-a-presunto.

O filme fará uma exibição no FrightFest de Londres em agosto. Estreia on demand e em circuito limitado a partir de 20 de outubro. Nada animador, mas entre uma coisa e outra já deverá ter caído nos HDs dos bons cristãos.

Pessoalmente, estava pra lá de satisfeito com a origem da família Sawyer/Hewitt no ótimo O Massacre da Serra Elétrica: O Início. Mas as credenciais hardcore dos cineastas mais o clima pesado da prévia me agradaram deveras.

E o Leather merece esse mimo.

domingo, 16 de julho de 2017

Bravo, Romero!


George Andrew Romero
(1940 - 2017)

Comentar mais o quê do Grande A. Romero? Não satisfeito em resgatar, modernizar, globalizar e eternizar toda uma estranha subcultura, o cineasta ainda era influência perene em filmes, música, literatura, quadrinhos, artes visuais e o que mais houvesse dentro da cultura pop.

Além de ser o criador do clássico com o título mais legal de toda a história do cinema.

Romero foi a razão direta para muitas trilhas que fui tomando em minha vida - filmes, livros, gibis, discos, visão crítica do mundo, este blog. Nunca me arrependi de nenhuma delas.

Só por isso, meu muito obrigado, velho mestre.


Ps: uma nova maratona da hexalogia ...of the Dead na agulha? Com certeza. Com um Martin e um The Crazies para rebater.

Pps!: Como se não bastasse, Martin Landau também. E a fileira dos grandes diminui a passos largos. 

R.I.P.

sábado, 15 de julho de 2017

Ah, Saga do Urso Místico, sua linda


Os Novos Mutantes - Entre a Luz e a Escuridão, de Chris Claremont & Bill Sienkiewicz. Esse encadernado é parte de um sonho tão antigo que só poderia ser datado via carbono-14.

Ok, ok... esse sonho vem desde 1989, quando peguei numa banquinha O Incrível Hulk #72, formatinho da Abril em que os mancebos mutunas estreavam seu novo desenhista em muito boa companhia: o Verdão em plena fase John Byrne e um divertido Roger Stern escrevendo seus Vingadores da Costa Oeste - que considero o molde utilizado pela dupla Giffen-Dematteis em sua posterior "Liga tosca". Pois bem, meu bem.

Já na 1ª folheada fiquei assombrado com a pegada vanguardista de Sienkiewicz, mesmo nas dimensões pra lá de compactas do gibizinho. Já conhecia seu estilo peculiar pelo Cavaleiro da Lua fase Moench na revistinha do Capitão América, mas pesava lá a forte influência de Neal Adams e da estética de violência urbana do início dos anos 1980. A diferença daquele momentum criativo para o state d'art atingido em Novos Mutantes chega a ser objeto de estudo.

Em que pesem termos como "atmosfera de pesadelo" e "tensão psicológica" surgindo na mente sem aviso, a fluência gráfica de Sienkiewicz vai muito além disso. Há tantas informações por quadrinho, passagens entre-quadros e splash-pages quanto possível antes da coisa degringolar pro surrealismo.



De quebra, um posfácio muy espirituoso de 5 & 20, mais esboços e estudos de personagens nos extras. Menção honrosa para os bons esforços do líbero Bob McLeod na edição Anual, lá pela meiota do livro, pra dar uma quebra.

E Chris Claremont. O homem era uma força da natureza - isso não é necessariamente um elogio. Na década de 80 ele estava em todo lugar, inevitável. Talvez seja o escritor que melhor se adequou aos ditames da indústria e quid pro quo. Com todos os vícios e virtudes, ignorando categoricamente qualquer tentação autoral, virou um zeitgeist perneta dos quadrinhos mainstream daquela era.

Sua passagem pelo roteiro da jovem equipe não foi diferente. Nesse compilado de nove edições, Claremont brilha tanto quanto apronta: meu absurdo favorito acontece justo na edição da capa, New Mutants #21, quando Illyana, durante um pega com o alien biomecânico Warlock, ressurge inexplicavelmente num traje espacial segurando alguma metranca futurista - uma "looonga história" revelada apenas na edição #63, quatro anos mais tarde.

Toda essa quizumba e uma análise minuciosa do run de Claremont-Sienkiewicz você encontra no belíssimo artigo de Greg Burgas para o CBR.

Pelas minhas contas, em cinco anos, 3/4 daquele sonho foram realizados. Nada mal. Falta então apenas mais um...

...que, por acaso, segue como uma das maiores injustiças do mercado editorial brasileiro de HQs.


Vamos lá, Panini. Você consegue. Nos faça acreditar mais uma vez.

sábado, 8 de julho de 2017

Nelsan esteve aqui


Nelsan Ellis
(1978 - 2017)

Em meio à tanta gente boa dando o pé deste mundo cada dia mais chato, não pude me esquivar da partida sem aviso do talentoso Nelsan Ellis. Ou, na forma que ele assumiu com genialidade ímpar, Lafayette Reynolds, da série True Blood. Fácil, fácil, um dos personagens mais marcantes que já tive o prazer de assistir em qualquer mídia.

E como assisti. Até mesmo quando a série já havia queimado toda a sua lenha.




Foi cedo demais, é certo. Mas deixou sua marca.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

All work and no play makes Jason a dull boy

Estava preocupado com os rumos do país. Mas mandei tudo pro inferno mesmo quando soube que esse game foi lançado há um mês e só fiquei sabendo agora.


Pelo visto, a próxima publicação em atraso extremo terá um motivo bem mais específico.

terça-feira, 9 de maio de 2017

JotaBeCeeeeeeee!!

Bom dia.

A editora JBC (enfim) desembuchou tudo o que sabe sobre a aguardado lançamento de Akira. Mas ainda não tirei os olhos de uma coisa.


70 mangos o volume. E sem cafuné na pré-venda da Saraiva.

Só pra constar.

Ps: vai ser um bate-boca épico no departamento de fusões & aquisições.

domingo, 30 de abril de 2017

O Estranho das Filipinas


Na época do lançamento do filme do Dr. Estranho, ano passado, fiquei de mandar o foca rascunhar um breve-mas-charmoso texto para a ocasião. Como isso nunca aconteceu, o filme - que me surpreendeu positivamente, que registrem nos autos - acabou como acabaram tantos filmes-pipoca por aqui: passando batido. Felizmente agora, em meio à faxina/releitura sazonal da portentosa coleção de papiros da 9ª arte, o nobre Doutor-Mestre das Artes Místicas há de ganhar seu tributo nesta pocilga. Que belo timing, hm?

Heróis da TV #68 e #69 (fev-mar/1985), formatinhos da Abril. Meu primeiro contato com Stephen Strange fora das fileiras dos Defensores. Era o Stephen solo, de várzea. E assustador pra caralho. Pelo menos pra um moleque acostumado ao bom e velho maniqueísmo multicolorido super-heróico.

O universo particular do Dr. Estranho era um lugar de fato estranho, com traços pesados e uma atmosfera tão obscura que chegava a ser azul. O mago honrava mesmo as calças que vestia quando ainda estrelava Strange Tales, seminal antologia de horror e monstros da Marvel.

Aquelas eram as edições #20 e #22 originais do título Doctor Strange vol. 2, ou Doctor Strange - Master of Mystic Arts. O roteiro de Marv Wolfman não era dado a pirotecnias, mas deixava claro que aquele não era o quadrinho regular da Marvel. Algumas mortes eram de arrepiar -  e aí entra o verdadeiro protagonista destas modestas linhas (mas que sacanagem com o discípulo-mor do Vishanti, você vai dizer, mas calma lá que é justificado): o veterano artista filipino Rudy D. Nebres.

A arte detalhista com painéis que lembravam um óleo sobre tela gótico trazia tons fúnebres, cenários surreais e um clima febril e perturbador que remetia a um pesadelo - nesse ponto lembrando uma cruza blasfema da mão pesada de Gene Colan com o traço estiloso de Neal Adams. Mal comparando, era como o Stephen Bissette, do Monstro do Pântano de Alan Moore, saído de uma missa negra chapado com chazinho de Santo Daime.


Nas duas histórias publicadas, "Xander, o Impiedoso!" e "Tomada pela Loucura", a arte de Nebres se destaca numa aventura, que, de outro modo, ou com outro desenhista, não passaria de divertida. Mas o que se vê aqui, em cada quadr(inh)o é grande arte.

Sem o título de Mago Supremo e com seus poderes diminuídos pelo Ancião (não me pergunte porquê), o Dr. Estranho encontra pela frente o vilão Xander. Durante a batalha, um revés: sua aprendiz Clea acaba possuída pela magia negra de Xander e sai por aí cometendo as maiores atrocidades.


A despeito de Nebres ter concebido a Clea mais sensual de todas, tenho algo a confessar: a cena que mais me causou arrepios nas HQs da época é quando a moça vai parar na cadeia e para se livrar de uma detenta ameaçadora, ela concreta a infeliz ainda viva.



Não satisfeita, Evil Clea sai pela cidade tocando o terror em termos bíblicos e Lovecraftianos, como qualquer minion from hell que se preze.



Tive alguns... "problemas" com essas cenas também, pela carga imagética/religiosa envolvida. Fazer o quê, sou um católico cheio de culpa que não sabe o que faz e que, na época, ainda tinha os  devaneios apócrifos de Os Caçadores da Arca Perdida ecoando forte na cabeça.

Apesar de seu incrível talento, no Brasil a carreira do señor Nebres foi marcada por seus trabalhos como arte-finalista. Ele fazia a cobertura dos lápis de gente como John Buscema, Gil Kane e os citados Gene Colan e Neal Adams, notadamente nos gibis do Estranho, do Hulk e do Conan (em especial A Espada Selvagem). Sempre com uma proficiência e qualidade do nível de um Alfredo Alcala, se for pra mensurar a competência do homem. Mas também assinou muita arte original, conforme o compiladão do Comic Book DB - e que, por algum motivo, continua sepucralmente inédita por aqui em sua esmagadora maioria.

Ao que consta, após a produção em ritmo industrial que manteve nos anos 70 e 80 o artista se afastou dos quadrinhos para investir seus talentos em áreas mais comerciais. Reservado e sem reconhecimento pelo conjunto da obra, Nebres faz aparições esporádicas em convenções de pequeno porte nos EUA.

Pra mim ele sempre será o dono do traço mais bacana - e assustador - que o Dr. Estranho já teve.

sábado, 25 de março de 2017

Trailer Clube dos Cinco

O pen drive do Lex foi descompactado. Seja como for ou como vier, um 1º blockbuster da Liga da Justiça é um evento histórico. Ponto.

E toma trailer.


Esse é talvez o último grande bastião a ser derrubado. Lembra como há uns vinte anos (logo ali) qualquer coisa envolvendo super-poderes parecia impossível na telona? Pelo menos não sem soar camp e datado. E acho mesmo que os créditos de criação de toda a estética e cinematografia que tornaram isso possível deveriam ir para Alex Proyas e Stephen Norrington, respectivamente. Mas esse assunto fica pra próxima.

Sinto uma obrigação cívica de prestigiar a estreia da Liga no cinema, mesmo que os rumos do universo cinematográfico da DC pelas mãos de Zack Snyder sejam pra mim um desastre de proporções apokolípticas. E desconfio que estou sendo mais cerimonioso em relação à importância histórica desse longa do que a própria Warner, mas vamos lá...

Rápido e rasteiro:

  • Ao exemplo das campanhas do filme do Esquadrão Suicida, a prévia vende um pacotão de 2 horas e pouco de aventura/ação modernosa, frenética e com doses de humor mais generosas que o padrão até aqui;
  • O uniforme do Flash é uma tralha, mas o efeito do arranque é ótimo e diferente até da versão televisiva;
  • Cyborg... meu São Steve Austin, que geringonça... CGI pavoroso (isso tem que melhorar) e uma concepção lamentável baseada nos Novos 52 e, sei lá, nos Bayformers?.. e ainda voando (!) igual ao Homem de Ferro; 
  • Há algo muito mal-resolvido no Bat-Affleck, como se ele ainda estivesse bastante desconfortável no personagem... não soa como se estivesse satisfeito com seu próprio Bruce Wayne ou que tenha se acertado com a armadura de dezessete toneladas - mas, veterano, não compromete tampouco;
  • A Mulher-Maravilha da ex-incógnita Gal Gadot brilha a cada aparição e periga valer o ingresso sozinha...;
  • ...tal qual o Arthur Curry/Aquaman do Jason Momoa, entre o fanfarrão e o ameaçador num timing bacana;
  • Ao malocarem o vilão principal ou o Superman fica óbvio que esses elementos serão importantes, quiçá os MacGuffins da trama... quer me enganar, me dá bala.

Trailer é igual displayzinho de McLanche - uma peça publicitária que dificilmente vende o produto de maneira fiel. Mas esse, por priorizar o aspecto diversão da experiência, se sai bem. E dessa forma deixa a espera pelo relaunch do UDC nos cinemas um pouco mais suportável.

domingo, 12 de março de 2017

Precisamos falar sobre a Regan


Quem é você? — perguntou ele.
Nowonmai — respondeu algo num sussurro doloroso. — Nowonmai.
Nowonmai. — A voz sussurrada parecia vinda de longe, de algum espaço
escuro e fechado à beira dos mundos, além do tempo, além da esperança,
além até do conforto da resignação e do desespero.
Talvez a mais perfeita descrição do abismo olhando de volta.

Difícil destacar um único aspecto da obra O Exorcista (1971), de William Peter Blatty, falecido em janeiro. Mas posso afirmar que os mais intrigantes pra mim sempre foram os momentos de calmaria no olho do furacão. Entre as explosões de fúria demoníaca e os extenuantes embates físicos e psicológicos, existem misteriosos interlúdios em que a jovem Regan McNeil parece submergir num estado de transe. Embora breves, esses períodos de semiconsciência são fascinantes e muito sugestivos. Como se a infeliz possuída fosse arrastada para um eterno estado de espera, enquanto o demônio estivesse ocupado com outras questões além da nossa compreensão terrena - talvez negociando o preço de sua pequena aventura neste plano; ou simplesmente entrincheirado, afiando as garras antes de mais um confronto com os exorcistas.

O que vem nesse ínterim é que é a parte estranha.

Com o demônio temporariamente fora de casa, os ratos fazem a festa: o corpo catatônico da possuída passa a agir como uma "antena astral", sujeita a todo tipo de interferências vindas do outro lado. E assim evidencia como nunca sua condição de mero receptáculo, de casca vazia. Ou de um portal escancarado para um abismo. Confundindo a expectativa dos exorcistas, vão surgindo singelos cânticos de crianças de coral de igreja, murmúrios em idiomas incompreensíveis e, em dado momento, uma voz que bem poderia ter tido ali a sua primeira chance de ser ouvida desde tempos imemoriais.

"Nowonmai" - obviamente "eu sou ninguém" ao contrário - soa como uma voz condenada e anônima, soterrada pela eternidade, jazendo num vazio longínquo de redenção inalcançável. O purgatório, talvez?

Apenas divagações. Isso nunca é explicado, o que é sensacional.


Bem... nada disso se encontra em O Exorcista, a série. Como quase tudo vindo da Fox, a produção se materializou na grade um dia, sem maiores cerimônias ou explicações. A proposta era até uma blasfêmia, o que deve ter agradado bastante o príncipe da escuridão: dar continuidade aos eventos de O Exorcista (1973), clássico do diretor William Friedkin. Pra completar, o criador e showrunner é Jeremy Slater, um dos roteiristas de Quarteto Fantástico e de Pets, a menor bilheteria de 2016.

Mas o inferno está na moda. Hoje temos um cardápio cramulhístico bem ao gosto do freguês, indo de Ash vs Evil DeadStan Against Evil aos que-se-recusam-a-ser-cancelados Sobrenatural e Lucifer. As ousadias começaram em 2014, com O Bebê de Rosemary refilmado em minissérie com Zoe Saldana. Afundando as botas em terreno profano, veio Damien, sequência direta do antológico filme-livro A Profecia (1976) - e, por sinal, uma boa série do ex-walking dead Glen Mazzara que, ao ser cancelada na 1ª temporada, nos brindou com uma excelente conclusão. Sem querer, é claro.

Apesar do flop, este parece ter sido o molde da Fox para O Exorcista. E ao contrário do texto intenso de Blatty e da adaptação metódica de Friedkin, a proposta da série descarta quaisquer conjecturas mais profundas sobre a natureza do bem e do mal. A abordagem agora é bem mais mundana e ágil. O que não soava animador em princípio (e meio e fim), mas a curiosidade em ver como se enquadrariam hoje os parâmetros daquela história dramática e aterradora acabou falando mais alto.

O enredo gira em torno da família Rance, modelo de classe-média yankee. O pai Henry é interpretado por Alan Huck, o eterno Cameron Frye; a rediviva Geena Davis é a mãe, Angela RanceHannah Kasulka e Brianne Howey são as filhas Casey e Katherine, respectivamente. Todos lá com as suas cotas de sinistros - Henry se recupera de uma lesão cerebral provocada por um acidente, Katherine também viu vovó pela greta n'outro acidente e Angela tem mais esqueletos no armário do que um cemitério.

Com tudo isso, uma das meninas começa a desenvolver um estranho comportamento, do tipo que pode acabar em jatos de vitamina de abacate e cabeças girando em gloriosos 360º.


Para equilibrar a balança - ou morrer tentando - estão o Padre Tomas (Alfonso Herrera), amigo próximo da família e uma estrela em ascensão na diocese, e o Padre Marcus (Ben Daniels), um exorcista experiente, obsessivo e marginalizado pela burocracia católica. Ambos também trazem suas cotas pessoais ao cenário. Enquanto isso, forças obscuras que podem ou não estar relacionadas ao caso se infiltram nos bastidores da aguardada visita do Papa à cidade.

A nova trama nem é nova, mas vai aí um conselho curtido em água benta para os peregrinos: fuja de resumos, googladas furtivas e até mesmo de listas com o elenco da série. 666% das fontes entregam já nas chamadas vários dados cruciais - um deles, inclusive, colossal (sempre quis usar...!) e que eu classificaria como o às na manga da temporada. A internet perdeu completamente o bom senso.

São esses dados que definitivamente fazem valer a conferida na série. Se você tiver o livro e o filme na cabeceira, bem embaixo do pôster emoldurado da Regan demoníaca, vale.

Vale, vale, vale.

Mas antes de embarcar, há uma listinha de coisas a abstrair. O estilo da produção é aquele típico do terror moderno e que não faz nem cosquinha em quem cresceu assistindo a sessão da meia-noite nos anos 70 e 80. Filtros teal/orange chapados, câmera balançando, o CGI que nunca convence. Você sabe. Aquela coisa pasteurizada, previsível, dispersante.

Outra: ainda que o desenvolvimento tenha pouca relação com o filme - o de 73, que fique claro, embora considere O Exorcista III (1990) um Monstro de Frankenstein cinemático deveras interessante - a série busca suas próprias conquistas, o que é louvável. Claro, não acerta o tempo todo. E nem na maior parte das vezes.

Mas é por aí que ela eventualmente se encontra.


Conferi os primeiros episódios armado até os dentes, pronto para exorcizar a série do wi-fi. Entre todas as macetadas estéticas citadas, incluindo a pior cena de CGI do ano passado (a perna quebrada no E02... o horror, o horror), me deparei subtramas ambiciosas pero sóbrias, sustos bem construídos e, ora veja, cenas de embrulhar o estômago, mesmo a esta altura do campeonato.

O elenco, completamente engajado e ciente daquele mythos, foi o elemento definitivo. Uma vitória de casting. Nada menos a esperar da veterana Geena Davis. A surpresa em vê-la nesta franquia dura alguns capítulos, mas sua imersão na personagem logo ajusta o foco do espectador. O mesmo serve para Alan Huck, cujo papel se revela bem mais vital para a trama do que aparenta no início.

Brianne Howey (Kat) tem um déficit de entrega nos momentos mais extremos, embora não comprometa, ao passo que Hanna Kasulka (Casey) foi uma belíssima revelação. Essa é pra ficar de olho, assim como o promissor Alfonso Herrera (Tomas), numa ótima participação que em nada lembra seu passado de, pasme, cantor do grupo RBD (!!!). E a tendência ao exagero de Ben Daniels (Marcus) só é tão acentuada quanto seu carisma e sua capacidade de segurar a tensão em cenas difíceis.

Estava ficando tentador. No 3º episódio eu soube que acompanharia a temporada toda. Mas foi o 5º (dos infernos) que botou fogo na série.

Meu amigo, que final...

Spoilers compels you!

(marque para ler a mensagem escondida)


Mais um aviso, tolo mortal: se quiser ter uma boa experiência com esta série, não leia. Ou Pazuzu virá em seu encalço com uma pilha de carnês do IPTU atrasados.

Ok, desde que soube da série O Exorcista a pergunta recorrente era: onde estariam os personagens clássicos? Fiquei especulando até que fariam uma conexão indireta com o original.

Imaginei, por exemplo, que resgatariam Sharon, a secretária de Chris MacNeil. Coadjuvante em essência, participou ativamente de todo o horror da história original até sua conclusão. Seria justo. Mesmo se fosse algum parente dela. Um(a) filho(a) talvez, que cresceu ouvindo um causo arrepiante sobre uma "garotinha doente". 

Ou então algo mais próximo do campo místico, como a esotérica Mary Jo Perrin - personagem que só aparece no livro e foi a 1ª a notar que algo estava muito errado com Regan. 

Ou quem sabe até o simpático Padre Dyer, melhor amigo do inesquecível Padre Damien KarrasEnfim, pensei em algo bem sutil e cuidadoso na relação com o material clássico. Mas foi bem o contrário.

Nunca imaginei que essa continuação seria sobre a própria Regan Teresa MacNeil

Tenho que admitir... ao mesmo tempo que achei a maior audácia da paróquia, foi uma paulada espetacular no sensorial. O modo como a revelação foi lentamente desvelada, primeiro através da confusão de Henry, e depois no final, com um monólogo estarrecedor de Angela, foi de desnortear qualquer cidadão.

Uau, Geena Davis é Regan MacNeil adulta... Uau. 

Por isso ela sacou todo o worst case scenario em tempo recorde - e com isso quase me fez desistir da série logo de cara...

A confissão coincidindo com a própria Chris MacNeil (Sharon Gless) batendo à porta dos Rance até configura um timing forçado, mas, naquele momento, não podia soar mais apropriado. Apesar disso, ainda não compro a sempre discreta Chris ter vendido o sofrimento de Regan para a mídia. Por mais que a vida desse voltas e a nece$$idade viesse a tiracolo, ela nunca atiraria "Rags" aos tubarões.

...embora já tenhamos visto coisas similares na vida real. 

E, admito, as cenas da Regan adolescente num programa de entrevistas dos anos 1970 foram ótimas e bem convincentes. No mínimo, um material muito interessante para um retcon, que provavelmente nunca virá. Enfim, algo a se pensar - assim que eu assimilar o chocante destino de Chris pelas mãos possuídas da filha... e dá-lhe mais blasfêmia com o cânone. Se boa ou ruim, fica a critério, mas sempre saindo da zona de conforto.

Quanto à conspiração do Illuminati satânico, é seguro afirmar que há bases residuais no livro e no filme (as vandalizações na igreja feitas por uma seita). O único risco era a fórmula batida: pessoas ricas e influentes manipulando tudo com o tinhoso no corpo já foi feito trocentas vezes antes, sendo metade delas em Sobrenatural. E não adianta, falar em bandos de pessoas possuídas por demônios é quase referência às aventuras de Sam & Dean. Mas há diferenciais. 

Desde o modus operandi para a dominação mundial (muhahaha!) até a maneira como a possessão se manifesta fisicamente nos olhos. E uma boa sacada foi o conceito de "integração", o que explica o fato das possessões serem tão diferentes - animalesca em Casey e na Rags jovem e quase imperceptível nos vilões da alta sociedade e na Rags adulta.

Falando nos vilões, a Maria Walters da estranhamente interessante Kirsten Fitzgerald tem muito caldo para render, apesar do final horripilante da personagem. E por alguma razão, o Irmão Simon do ótimo Francis Guinan me lembra uma das passagens mais perturbadoras do livro: a fantasmagórica visita do "padre" Ed Lucas ao dormitório de Karras.

E parecia inevitável que dessem um corpo físico a Pazuzu, mesmo havendo um sem-número de possibilidades para um personagem/entidade incorpórea ameaçadora. Felizmente, a solução mais fácil não foi necessariamente destoante. Rags teve contato com uma versão física do demônio, o Capitão Howdy - e, partindo do sugestionamento infantil para um assédio mais íntimo, ainda houve a inserção do Salesman ("Vendedor"). Ah, meu diploma de psicologia imaginário...

Só que a estratégia tem seus pontos fracos. Por diversas vezes Pazuzu fica parecendo um arremedo de Freddy Krueger. Tem até uma cena no final em que ele abre os braços e arranha paredes com as garras. Quando se humaniza demais o perfil e as motivações, perde-se em obscuridade, estranheza, horror. Vira um monstro agradável. E isso se reflete no clímax, com um quase mano-a-mano (!) entre ele e Regan em seu subconsciente. 

Em contrapartida, sua deterioração física e agressividade aumentando conforme a passagem dos episódios ficou muito bacana. Méritos para o ator Robert Emmet Lunney, que, até onde lhe cabe, fez um bom trabalho com o capetão mais famoso do cinema.

Mas ninguém tasca a chegada triunfal do Padre Marcus na sequência do atentado ao Papa, com direito a frasezinha de efeito à Schwarzenegger. Combinação esdrúxula, mas bateu. 

Mais uma pro mural do guilty pleasure


Apesar do saldo bastante positivo em uma temporada irregular (que conflituoso) e da aclamação geral em ratings web afora, o silêncio da Fox diz muito. Até o momento não houve sinal de renovação. Jeremy Slater anda jogando verde em entrevistas, mas nem ele parece ter a menor ideia dos rumos da série.

Espertamente, a temporada deixou algumas possibilidades em aberto, ao mesmo tempo em que priorizou um senso de conclusão. E ainda há muitos elementos do livro a serem explorados/revisitados.

Mas se o ponto final foi esse mesmo, então a saga foi fechada dignamente.

E só me resta brindar a isso.


Saúde!

quarta-feira, 1 de março de 2017

Papai voltou!

Devemos uma reverência especial a Alien: Covenant por ser a 1ª vez ipso facto que Ridley Scott dirige os xenomorfos babões desde seu clássico de 1979.

História sendo escrita aqui, amigo. Não importa se o capítulo for ruim.


Mesmo com o prólogo de humanização do núcleo de personagens divulgado esses dias, nada de novo no front. E tanto David (Michael Fassbender) quando Elizabeth (Noomi Rapace), constantes no elenco, continuam estrategicamente sumidos, embora as referências a Prometheus estejam bem evidentes.

O que me chama atenção mesmo são as estrelas do filme. Que espécimes magníficos, hm?

Alien: Covenant estoura o peito do Brasil em 18 de maio.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Guerras Sacanas


Eu sei, eu sei... alimentei a fera. Inflacionei o mercado, lubrifiquei as engrenagens da Skynet, fiz acordo com Mefisto. Mas atire a 1ª Super-Heróis Premium quem nunca foi a uma banca ou livraria, viu uma falcatrua, riu da falcatrua e saiu de lá com uma falcatrua. Leitor de gibi é um bicho estranho. Vez ou outra sofre uma epifania, desliga o senso crítico em detrimento da razão - mais precisamente, do livro razão - e se joga todo faceiro às estatísticas das editoras e suas fantásticas edições-limitadíssimas-e-absolutamente-deluxe-apenas-para-colecionadores-exigentes. Aliás, patologicamente exigentes, com ênfase no pato.

Quando a epifania passa, olha lá a falcatrua na estante.

Mas não se pode subestimar o poder do lado negro. Ainda mais quando perpetrada por operativos formidáveis com longa experiência de campo. Sabe quantas Universo Marvel com o Quarteto na capa eu comprei repetidas? Quantas Dimensão DC: Lanterna Verde? E Marvel Millennium - Homem-AranhaPlausible deniability no dos outros é refresco.

Correndo por fora, a Mythos Editora ganhou muitos pontos nos círculos inferiores com aquele Hellboy Edição Gigante - A Morte de Hellboy, reeditando a esgotada e há muito suplicada O Clamor das Trevas (2008) junto com Caçada Selvagem (2012!) e Tormenta e Fúria (2014!!), estripando em 170 marcelas o bolso do hellfan que só queria a primeira. Golpe de mestre (das trevas) que encontrou paralelo nas assassinas voadoras do CLUQ e suas edições de Ken Parker de 64 páginas a 65 marcelas + frete na promoção! - essa aí, só se a própria Marcela viesse junto.

Mas não teve jeito: a Panini desovando Guerras Secretas - Edição Especial em tempo recorde após Coleção Histórica Marvel - Guerras Secretas foi, sem exagero, a Ordem 66(6) do mercado brasileiro de HQs em 2016. De diferencial, a CHM trazia um punhado de histórias-bônus - que, eu então desconhecia, não tinham relevância histórica ou conexão com a saga principal. E era em papel offset com cheirinho de EBAL. Caí facin.

Mal tinha armado o box, acomodado os cadernos ali dentro (já tentou fazer isso após 5 latões?), fechado e disposto na estante, a Panini anuncia o capa dura edição única com extras exclusivos. Pra disfarçar, vai que é tua, Alex Ross.

Fffffuuuuuu...

Mas gosto da saga. Escolado em mim mesmo, já sabia que toda resistência seria fútil. Então abstraí e aguardei diligentemente por um bom desconto. Pra amortizar umas moedas, sacumé.

Os tais extras não são graúdos como os de um Crise, mas nesse caso o conteúdo prevalece sobre a forma: estudos e artes não-finalizadas da saga pelo indefectível Mike Zeck, santo padroeiro do Steve Rogers e do Frank Castle nos loucos anos 1980.


Amém.

Também era de se esperar uma impressão afudê-em-couché comparado ao offsetão anterior. Mas não imaginava uma diferença assim tão esgulepante.


No fim, acho que este cenário é similar ao de muitos outros saudosos e velhuscos leitores de super-heróis da Abril. Se esse for o caso, eu diria que vale a pena avaliar a possibilidade de descascar esses limões e fazer a tal da limonada. Mas, claro, estabelecendo uma hora de parar também.

"A Guerra para acabar com todas as guerras!"

Duvido.


* * * * *

A Panini segue firme e forte em sua miguelagem de verniz!

A capa de Guerras Secretas - Edição Especial parece ter saído da fábrica de papelão reciclado sem tempo pra mais nada. Eles estão ficando bons nisso - o que é preocupante. A impressão ficou melhor do que, por exemplo, a da capa da "edição definitiva" de Asilo Arkham, do ano passado.

Na saga do Morcego, a capa sem o verniz ficou fosca, gélida e estéril, em contraste extremo com as cores vibrantes e o tom ameaçador da edição definitiva de 2013.


À esquerda, com miguelagem de verniz; à direita, sem miguelagem de verniz

Mesmo tendo a anterior, acabei pegando a nova porque, apesar da capa envernizada, linda e joiada, o letreiramento da edição de 2013 era uma tragédia. Na reedição recente algumas coisas foram reparadas, mas no geral não melhorou muito mais, não.

Ambas tomam uma surra de vara verde da antiga edição da Abril.

Porra, Panini. Vocês têm ideia do quanto isso é humilhante?

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Lobo Brutal


E aí finalmente arranquei do plástico o DC Comics Coleção de Graphic Novels vol. 25 - Lobo: Sem Limites - trilha adequada aqui - já esperando para corroborar o consenso universal de se tratar de uma obra indigna do Flagelo da Galáxia.

Mas, ei...



Diacho, essa HQ é muito legal!

Pelo menos bem melhor do que eu lembrava - e ninguém me ajudava a melhorar essa lembrança. Um exemplo é a arte pintada do Alex Horley, relegada ad nauseum a pastiche de Simon Bisley. Ok, o velho Biz é rei (e Martin Emond, outro rei; e Frank Frazetta é o One-Above-All), mas o senso de humor negro nas pinceladas é irresistível e doentio num nível satisfatório para um gibizão do Maioral.

Mesmo perfumarias baratas como a intro Tiny Toon contando a origem d'O Último Czarniano Vivo e o segmento Archie versão gangsta ficaram divertidas.


A história em si é tiro, porrada e puta. Nada mais a exigir de um Keith Giffen ainda escrevendo o Lobo naquele ponto (há muito) sem retorno. Longevidade cobra um preço salgado e nessa relação criador-criatura quase simbiótica só tenho a concordar com a impressão certeira do Malta na época.

Sem Limites foi provavelmente o último espasmo da fase de ouro do personagem. E, entre mortos e defenestrados, ainda crava uma boa média na escala hipotética Lobo-Omnibus-por-Garth-Ennis-&-Goran-Parlov.

A tradicional história-bônus tem o efeito de uma bem-alimentada mocinha de lingerie saindo do bolo. Três motivos. Primeiro, é o Lobo de várzea, estreando de colantezinho em The Omega Men #3 (1983), ainda inédita por aqui. Um acinte histórico sendo corrigido.



Segundo, esse título dos Ômega me pareceu bacaníssimo e até à frente dos US comics de então. Lembrando bastante os materiais da 2000 AD, é sci-fi politizado com clima anárquico e putanhesco - e se a cena de strip e sexo reptiliano com a Demônia não te convencer, nada mais o fará. Ler isso com impressão decente em papel filé foi diliça. Quero mais, mas só vai rolar em cbr maroto.

Por último, Giffen e o roteirista/co-criador Roger Slifer fizeram uma bela rendição ao cinema B: o Maioral estripando meio mundo para sequestrar Kalista e desfilando por aí com a rapariga na comissão de frente.

Isquindô!


E todo mundo sabe que ostentar uma pin-up gostosona (com todo respeito, Primus) na frente de um carango-monstro é estilo de vida no País das Maravilhas Trash.

Tá lá aquela cena memorável de Jogo Brutal (Fair Game, 1986) que não me deixa mentir...


Yippee Ki Yay!