quarta-feira, 9 de maio de 2018

Blonde on Blonde

Encontro faiscante em Fantastic Four #584 (dezembro, 2010).


Grandes Momentos Marvel de adulto. Tanto a ponderar sobre essas duas que não dá nem pra saber por onde começar - ou terminar.

E a dupla Hickman/Epting resumiu tudo em duas palavras e dois olhares.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

A dança cósmica do desempregado


A campanha massiva de Vingadores - Guerra Infinita dá como certa a chegada de Thanos a qualquer momento. Mas ao meu ver, o Titã Louco já está operando nesta esfera terrígena há pelo menos 4 anos. Precisamente num território continental com belas praias, florestas tropicais e mais de 207 milhões de nativos, onde testa, com sucesso, suas estratégias de polarização e dissuasão social em larga escala. Seus típicos joguinhos psicológicos servindo como aperitivo antes da aniquilação total.

As evidências são inconfundíveis: autoridades inacessíveis/intocáveis, desigualdade abissal na distribuição de renda, 13 milhões de desempregados e mutações genéticas bizarras, como os funcionários-polvo que se adaptaram pra não fazer parte dessa massa.

Isso só pode ser obra do vilão mais ambicioso da Marvel. Nenhum Illuminati seria tão implacável.

E tal qual a CIA, Thanos é especialista em desestabilizar governos e manipular sistemas ao seu favor. Após dar ao Surfista Prateado a aula de previsão histórica mais amarga que o ex-arauto de Galactus já teve (Superaventuras Marvel #132) e antes mesmo da escalada cósmica que resultou na trilogia de trilogias do Infinito (Desafio - Guerra - Cruzada), o Titã apresentou ao herói e aos leitores a megalópole artificial Dynamo City.

Uma visita que o Surfista jamais iria esquecer.


Alguns dias antes, Thanos #partiu-estirpar-50%-da-vida-do-Universo. Sabe como é, pra balancear a ordem cósmica aí e fazer um agradinho para a patroa Morte. Perspicaz, logo percebe que o Surfista Prateado será mais do que um mero estorvo para o seu novo projeto. Ao invés de um chamativo embate direto, Thanos opta por uma estratégia alternativa e simula sua própria morte durante um confronto com o herói.

Mesmo com a evidência convincente estirada num caixão diante de todos em Titã, o Surfista desconfia do mamão-com-açúcar que foi a contenda. Porém, o engodo funciona - pelo menos o suficiente.

Durante uma ronda preventiva pelo espaço, o herói é abordado pelo oficial de justiça C2DT42 e informado que tem assuntos pendentes em Dynamo City. Relutante, o Surfista é vencido pela curiosidade ao saber que Thanos deixou registrado lá seus infames testamento e último desejo.

O acesso à cidade só é possível via atalho interdimensional, visto que a comarca espacial é localizada no quadrante privado 18D-X-M. Chegando ao hangar de desembarque, a primeira surpresa: Dynamo City é um complexo absorvente omni-energético.

Nas palavras do C2DT42:

"Toda forma de energia, seja solar, química, elétrica, iônica, cósmica, ou seja qual for, é coletada e armazenada na bateria central. Pela lei, todo poder pertence ao governo municipal e a posse privada de energia é um crime."

Sem poderes e sem escolha, o Surfista é conduzido coercitivamente® até a Corte Nº 6 de Dynamo City.

Após um breve "depoimento" na forma de uma sondagem neural, o herói finalmente tem acesso aos derradeiros autos do Titã Louco - devidamente protocolados em video-"teipe".


Concluídas as formalidades e dispensado pela Corte, o Surfista presume que as maquinações de Thanos não deram certo. Não havia mais nada a fazer em Dynamo City. Era só seguir o seu caminho, assim que pagar a módica taxa de saída de 50 créditos...

Módica, mas virtualmente inalcançável pra quem não tem nada.


Vai trabalhar, vagabundo!

O Surfista Prateado começava a compreender o estratagema de Thanos. Dynamo City era a armadilha perfeita que nem os devaneios mais loucos do Coringa e do Arcade poderiam conceber. Tudo por conta do seu sistema político e financeiro.

O lugar era um pesadelo Orwelliano: a aparente utopia futurista disfarçava uma pseudo-tecnocracia sustentada por autoritarismo, concentração extrema de poder e riqueza, cultura de alienação e uma esmagadora maioria operária e informal amargando irreversivelmente abaixo da linha de pobreza.

Uma verdadeira prisão sem muros. Igualzinho a um planeta que conheço.

O que vem a seguir é de um déjà vu atordoante. E rende as antológicas - e tragicômicas - cenas do Surfista Prateado encarando uma entrevista de emprego e um bico como peão de construção civil.


No fundo do poço, o Surfista agora enfrentava seus dois piores medos, a privação de liberdade e a perda de seus poderes (isso toca alguns sinos, hm?) - agora acrescidos de mais um, novinho, para toda a vida.

Mas claro que não seria uma imersão genuína na dura e cinzenta realidade - especialmente a brasileira - se ficasse de fora a próxima parada do Surfista: Cabana City. Que poderia ser Trenchtown City ou mesmo Favela City, mas a sutileza também é uma arte apreciada.

Lá, o Surfista faz amizade com o simpático malandro Zeaklar e começa a traçar seus planos para alcançar o inalcançável: o indivíduo que ocupa o topo da pirâmide, o ser sugestivamente chamado Aquele-Que-Vê!

Revelar mais - inclusive a natureza do Aquele-Que-Vê - seria uma deselegância. Mas o desenrolar final foi lindamente construído pelo grande Jim Starlin e ilustrado por Ron Lim.

Esse arco foi publicado aqui em SAM #138-141 (aconselho conferir a #134 também). Vou ser sincero... é uma aventura leve e bem-humorada, mas também crítica e dramática na medida, com absolutamente zero de pretensão. Um exercício de estilo de Starlin - hoje, apenas mais um civil diante da Marvel - antes da tempestade de Desafio Infinito.

E sendo mais sincero ainda: é uma minhas sagas favoritas dessa fase por simples identificação pessoal.


Sei que é difícil acreditar, mas nem sempre fui esse gênio bilionário playboy filantropo que você acompanha aqui fielmente desde 2004 (quá, quá, quá!). Já passei pelos mesmos perrengues do Surfista em mais de uma ocasião e posso dizer que as frias ruas de Dynamo City não me são nada estranhas.

Natural então que eu tenha um certo "carinho" pela história, que releio de tempos em tempos. Por motivos óbvios.

Thanos pode ter a cidadania de Dynamo City, mas consegue atingir o brasileiro que existe em cada um de nós.


Esse cara é o puro Mal encarnado.


Do velhusco-mas-ainda-bacanudo The Appendix to the Handbook of the Marvel Universe:

“I would really, really enjoy seeing Starlin and Lim write a story detailing Thanos' initial encounter with Dynamo City

- Me too!!

terça-feira, 10 de abril de 2018

Batmetal Eternamente

Quatro anos após o megacrássico "Batmetal" e da sangrenta sequência "Batmetal Returns", o estúdio de "animação e metal" ArhyBES volta à artilharia com fogo e fúria!


O caldeirão de referências está a mil. Piscou, perdeu Hendrix, Dio, Vicious & Lemmy.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Windsor-Smith X Sienkiewicz

Além da saga deveras divertida, a recém-saída Excalibur (vol. 4): Uma Aventura no Tempo - Volume 2 traz um ótimo selecionado de artistas. A surpresa foi a combinação potencialmente explosiva da história "Pessoas (Ir)Reais": nada menos que Bill Sienkiewicz arte-finalizando Barry Windsor-Smith.


Arte-finalizando não, duelando mesmo. Foi o Confronto do Século! Mas já volto aí.

O timing da vez foi, logo após a leitura, ver o editor Alex R. Carr twittando sobre esse mesmo encontro, lançado originalmente em agosto de 1990.


Já o timing sobrenatural da vez, foi ver o post do 5 & 20 revelando que BWS, velho companheiro de copo nas cons da vida, sempre detestou suas tintas.


Ele não comenta se já recebeu alguma explicação mais técnica, mas tenho cá meus chutes. Voltemos ao embate.

Quando arte-finaliza alguém, Windsor-Smith atropela a identidade do desenhista sem pedir licença. É um rolo compressor autoral. O saudoso Herb Trimpe de Homem-Máquina que o diga. Mas temo dizer que desta vez seu lápis imparável encontrou um nanquim irremovível.

Tirando um olhar aqui e uma expressão facial ali, quase não se reconhece a presença do The Smith na história. A pegada suja e caótica com linhas livres e senso de transgressão artística não deixa dúvidas. Fair play à parte, na guerra de estilos, Sienkiewicz levou a melhor.

Existe algum ditado pra ladrão de cena que rouba a cena de outro ladrão de cena?

sexta-feira, 16 de março de 2018

Os editores da Salvat adiam o lançamento da Coleção “A Espada Selvagem”...


Pois é.  Aquele silêncio estava mesmo esquisito.

A despeito do baque, a reação geral tem sido uma só: um $u$piro de alívio. Segundo o comunicado, a épica coleção ficou para o 2º semestre de 2018.

"Sabemos o quanto vocês estão ansiosos para a chegada de Conan, e estamos tão ansiosos quanto, mas essa adaptação na data foi necessária para garantir a produção e distribuição adequada da integralidade da obra."

Além da justa justificativa - particularmente a tal "produção adequada da integralidade da obra", copiaram tradutores e revisores salvatianos? - é engraçado acompanhar nos comentários a condescendência cumplicidade do(a) analista de mídias sociais.

Nunca vi uma empresa tão preocupada com o bem-estar financeiro do consumidor. Nem parece aquelas editoras que lançam coleções e extensões ao mesmo tempo e algumas até de surpresa.

Longe de mim reclamar. São alguns shillings a mais para gastar nas tavernas mais vagabundas da Neo-Hibórea. Aye!


Quadra inicial de volumes  1as. impressões:
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 1
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 2
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 3
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 4